segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Internet: o lugar mais colaborativo do mundo!



Você ouve falar vagamente sobre um assunto qualquer e quer se aprofundar. Faz o que? Google!!! Ou então está pensando em comprar um certo produto, mas ainda tem dúvidas sobre suas funcionalidades. O melhor lugar para ver a coisa funcionando de verdade, com barulho e tudo? Youtube!!! Ou, ainda, gostaria de saber qual a melhor opção dentre tantas marcas... Blogs!!! Viu um preço bacana numa loja virtual que você nunca ouviu falar. Como saber se é idônea? Sites como Reclame Aqui e outros voltados ao consumidor!!! Simplesmente quer saber se aquele aparelho faz mesmo o que promete. Área de comentários!!!

Graças a pessoas comuns, anônimas (se bem que, com as redes sociais, isso é um pouco relativo), o termo “colaborativo” nunca foi tão abrangente como agora, em tempos de internet. Graças a proatividade e – por que não – ousadia de milhões de pessoas, praticamente todas as dúvidas encontram algum tipo de resposta nesse louco universo virtual que se amplia mais e mais diante de nossas telas. 

São pessoas que, baseadas em suas próprias dúvidas e experiências, resolvem dividir na rede mundial o que têm aprendido, experimentado, visto, comprado. E como isso ajuda no dia a dia!

Vou citar um exemplo pessoal. Eu ouvi tanta gente falar dessas máquinas que fritam sem óleo que fiquei curiosa pra saber se as coisas ficavam boas como fritas mesmo nelas. E sempre que penso em comprar algo eu primeiro pesquiso bastante, não apenas preço, mas diferenciais entre as marcas, prós e contras, consumo etc. Cada detalhe conta.

Foi assim que passei meses pesquisando sobre a tal fritadeira. A primeira coisa que caiu com relação a isso foi o preconceito. Eu estava tão distante desse universo que pensava, como muita gente ainda pensa, que aquela marca que aparece na televisão era insuperável. Depois eu vi que, insuperável mesmo, é o preço absurdo dela. Então eu descobri que as outras marcas faziam exatamente o mesmo serviço, embora fossem beeeeemmmm mais baratas. Foi então que parti para os diferenciais.

Onde eu encontrei os comparativos mais completos e detalhados? Errou se disse que foi em algum jornalão famoso ou numa revista especializada. Foi num blog mesmo. E não achei apenas os comparativos, como uma infinidade de receitas e possibilidades. É um mundo à parte, gente. [Aliás, quero abrir um parêntese: cheguei a ver alguns comparativos em sites famosos, porém, a abordagem foi tão falha e superficial que me fez ficar com vergonha jornalística.] 

Até eu estou, devagarinho, tentando colaborar. Por exemplo: recentemente comprei uma panela de pressão elétrica e cada vez que pensava em fazer algo com ela, recorria ao Youtube para não errar. Foi aí que senti falta de um vídeo sobre como fazer arroz na danadinha. Não deu outra! Pus a mão na massa e gravei, eu mesma, a minha experiência. É um vídeo simples, mas responde melhor do que os que eu encontrei na ocasião. Me animei tanto que já emendei um outro vídeo preparando a mistura nela (quer rir um pouco? Então clica aqui e veja a minha colaboração). 

Eu sei que tem muita porcaria na internet, mas tem MUITA coisa boa também. Basta saber filtrar, seguir critérios mínimos que garantem uma navegação bem produtiva. Acho que com um olhar apurado a gente identifica fácil os zé manés.

Nesse quesito, os blogs merecem um capítulo especial...

No meio desse mar de informações estão eles, membros da velha guarda da web: os blogs! Os gurus da tecnologia podem prever fins terríveis e tal, pra mim nada acaba com os blogs. Pelo contrário, eles estão se refinando.

Quando surgiram, lá no final dos anos 90, os blogs foram bastante marginalizados. “Não são fontes confiáveis de informação”; “Acessível demais, qualquer um escreve o que quer, sem regra nem compromisso”; “Não são canais oficiais”... Verdade. Mas o tempo foi passando e os danadinhos, quem diria, foram amadurecendo. E o amadurecimento veio, justamente, de sua liberdade e informalidade sempre tão criticadas. Hoje gozam até um certo glamour, conquistaram seu respeito.

Pudera! Com o tempo, muita gente que realmente entende do que faz aderiu a esse recurso incrivelmente democrático. É impossível listar a variedade de conteúdos, mas é possível afirmar que, sim, eles enriquecem muito a web. São jornalistas, médicos, professores, advogados, chefs, escritores... uma infinidade de profissionais doando um pouco de seu tempo e talento para qualificar nosso amado ciberespaço. E com muita competência! Mas os blogs foram além.

Eu acho que a chegada de profissionais deu o tom dos blogs dessa nova era. Eles ajudaram a criar focos e a mostrar que a pessoa, quando comprometida e dedicada, é capaz de produzir conteúdo confiável de forma autônoma. Tais exemplos fizeram a família crescer e atraíram outro tipo valioso de blogueiro: O BLOGUEIRO!

Classifico como “O Blogueiro” o cara que realmente se compromete com o que está publicando. Não precisa ser um profissional mesmo, precisa apenas que seja uma pessoa consciente, responsável, tenha bom senso crítico e esteja realmente comprometido com aquela tarefa. E para nossa sorte, eles estão se proliferando!

Esse tipo de blog, inclusive, têm atendido a quem busca informação de verdade, detalhada, que responde perguntas reais. Que me desculpe a mídia padrão,  mas nesse sentido está deixando muito a desejar. Antes a gente recorreria a jornais e revistas – agora em sites também – para saber um pouco mais. Só que o excesso de regras, a ditadura do espaço e o bloqueio criativo provocado por manuais de estilo têm tornado a principal fonte de informação extremamente superficial, incompleta. Parece coisa feita por gente preguiçosa. Os blogueiros não, eles não têm preguiça e nem cerimônia para usar a sensibilidade, para atender os anseios de gente de verdade. 

Não perca a entrevista que eu fiz

No próximo post eu vou trazer um exemplo real disso. Tive o prazer e a alegria de entrevistar o blogueiro Maurício Rodrigues, que eu muito admiro. Ele é autor dos fantásticos blogs de culinária “Fritadeira sem Óleo”, “Máquina de Pão” e “Receitas na Pressão”.

O Maurício arrasa, gente! Os blogs deles são muito bem feitos, estão sempre bombando de novas postagens e de comentários e realmente prestam um grande serviço. Através deles muitas donas de casa e outras nem tanto, como eu, estão aprendendo a explorar melhor seus eletrodomésticos modernos e se divertindo na cozinha. Mas o trabalho dele não se resume apenas a receitas. Que nada! Nos blogs dele a gente encontra comparativos, tira dúvidas sobre especificações e muito mais. 

Te espero no próximo post!!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Reinaugurando este blog!




Tenho a dizer que esse lance de bloqueio criativo é real. Ou melhor: foi real. Já passou. Hoje venho aqui reinaugurar o meu bloguinho.

Pois é. Passei por esse bloqueio e cada um dos dias em que ele me afligiu me foram muito custosos. Mas agora sinto-me de volta e creio que está mais do que na hora de retomar a vida deste blog.

Por que?

Bom, vou enumerar:

- Primeiro porque amo demais este espaço aqui e tudo o que ele me traz: amizades, experiência, aprendizado, diversão, distração, aprimoramento etc.;

- Segundo porque é onde tenho total liberdade para trazer os temas que eu quiser, explorar a linguagem de formas diferentes, com mais criatividade, dar minha opinião quando sentir vontade e tudo o mais;

- Terceiro porque gosto muito de blogs, acho que estão se tornando um espaço colaborativo essencial e quero fazer parte disso. Os blogs, quando feitos por gente competente e responsável, informam mais e melhor do que a imprensa, infelizmente mais superficial a cada dia;

- Quarto porque ele me coloca em contato com gente muito legal, como você... hehehe.

-E quinto – e muito muito importante: porque tenho leitores!

Gente, a última postagem feita neste blog foi há mais de um ano e meio. Mais precisamente no dia 7 de abril de 2013!!! Nem eu sabia que o limbo criativo tinha me anestesiado tanto assim.

No entanto, rodeando o local, o Google Analytics me disse que, até este momento (às 11h53), meu humilde espaço já recebeu 67.222 visitas durante sua vida! Não é lindo isso?
Só hoje, sem conteúdo novo e nem nada, eu tive 27 visitas até este momento. Ontem foram 32. No mês passado, 771!!!

O blog estava bem abastecidinho até, para quem nunca se preocupou com periodicidade como eu. Até eu ser engolida pelo bloqueio criativo, postei 60 temas.

Mas eu sei que posso fazer melhor. Muito melhor. Sei que posso não só escapar de vez desse cerco cinzento que me calou durante tanto tempo, mas me comprometer a manter este blog do jeito certo.

Estou falando de periodicidade!

Eu sei que escrevo textos longos e que nem todos gostam disso, mas ainda existe gente disposta a ler por aí. Ler por vontade, ler por prazer. Mas em se tratando de blogs, o mais importante é manter uma regularidade nas postagens, é sempre ter algo novo a oferecer.

Os blogs por aí me ajudam tanto, são tão generosos comigo. Essa coisa do colaborativo me fascina! Cada um contando suas experiências, trazendo detalhes, informando, ensinando, incentivando, trazendo à tona inúmeros temas que, sem querer querendo, nos atendem em algum momento específico. Eu também quero colaborar com uma internet de qualidade. Como ser humano, como cidadã e como jornalista.

Então, blog reinaugurado!

Espero que, de fato, consiga enriquecer esse mundão sem fim da web junto a tantas e tantas pessoas bacanas que fazem isso tão bem!

Beijo e vamos que vamos!

domingo, 7 de abril de 2013

Feliz Dia do Jornalista - 7 de abril!!!


Ao contrário do que alguns ignorantes quiseram fazer acreditar, jornalismo não é uma atividade possível a qualquer um. Mais do que “saber perguntar”, mais do que “escrever bem”, o jornalismo exige uma série de outras habilidades e conhecimentos.

Entre as habilidades destaco sensibilidade, curiosidade, atenção, proximidade, coragem, desinibição. Mas vai além: é preciso entender de gente, ser gente, se colocar no lugar de tudo que é gente. E mais: é preciso ser laboratório de si mesmo para conseguir entender o que é comunicação para os demais, como se chega nos outros, como transmitir e traduzir da melhor forma. E hoje isso é mais importante do que nunca, porque ser jornalista apenas não basta, temos de ampliar nossa visão e experiência para sermos, enfim, verdadeiros comunicólogos.

E os conhecimentos vão muito além do domínio da norma culta. Jornalismo é filosofia, sociologia, história, antropologia, geografia, literatura etc. É ciência. Não porque depende da pauta do dia, mas porque o jornalista é, antes de mais nada, humanista. Tudo o que ele faz é pra gente, e o maior desafio dessa profissão incrível é justamente mergulhar nessa imensidão sempre inexplorada que é o homem.

Eu desejo a todos os meus colegas de profissão sucesso , mas principalmente reconhecimento e respeito. Jornalismo é dom, é talento e muito preparo, é trabalho árduo sem fim. Não é, de jeito nenhum, pra qualquer um: é pra quem pode mesmo!

Feliz Dia do jornalista!

sexta-feira, 23 de março de 2012

A ‘Mulherzinha’ e a ‘Mulherzona’

A pedidos, hoje escrevo sobre uma de minhas teorias: a da ‘Mulherzinha’ e da ‘Mulherzona’.

Tem coisa mais gostosa na vida do que namorar? Fiquei sozinha durante anos, já nem lembrava mais como um relacionamento afetivo exige jogo de cintura e maturidade. Mas – ainda bem!!! – estou tendo a chance de relembrar, e em grande estilo. E é justamente vivendo esse momento tão especial que me deparei com um fantasma: a MULHERZINHA!

Ela só aparece quando estamos felizes e apaixonadas. Isso já demonstra que não se trata de boa coisa. Ser das trevas, tenta o tempo todo plantar a discórdia, a desconfiança, o que há de mais rasteiro nos sentimentos humanos. Está tudo bem e em paz entre você e seu amor, mas de repente, por qualquer motivo idiota, você começa a pensar coisas horríveis, que te deixam triste, pra baixo e cheia de dúvidas. E seu homem, que está lá, na dele, cuidando da vida e nem imaginando o que se passa na sua mente insana, de repente é bombardeado por perguntas e até acusações – quando não por aquelas indiretinhas infantis e aqueles cutucos ridículos que só nós temos o dom de praticar. Sim, porque é isso que fazemos com eles quando estamos sob o comando da ‘Mulherzinha’. É ela quem ativa o modo turbo do nosso lado ciumento, inseguro, medroso. Pode ver, homens não sofrem disso (só os que têm o lado mulherzinha muito aflorado, mas daí o que você vai querer com um cara desses, né?). Eles são práticos demais pra ficar refletindo dias inteiros sobre uma palavra torta, uma frase, uma reação ou qualquer coisinha boba. Isso é coisa exclusiva de mulher, ou melhor, da ‘Mulherzinha’!

Eu não quero ser mulherzinha. Você quer? Emprego a expressão ‘Mulherzinha’ pra designar um lado obscuro presente na maioria das mulheres. O lado chato, cricri e problemático. E sempre que me vejo incorporada por esse ser inferior, sinto-me decadente. A ‘Mulherzinha’ é fraca, ciumenta, insegura, irritante, encanada. Ela vê, ouve e sente coisas que, na maioria das vezes, nem sequer têm cabimento; e mesmo que tenham ela jamais conseguirá provar porque não têm provas, ela só fica imaginando, ela só serve pra ficar plantando dúvidas absurdas na nossa mente. E se a gente dá espaço, ela toma conta, nos domina, nos torna pessoas realmente abaladas psicologicamente - pelo menos no setor sentimental.  Por causa delas nos tornamos mulheres desagradáveis. Costumo dizer que é a nuvem negra que se forma acima de nossas cabeças de mulher, levando a paz, o sossego do relacionamento, plantando a discórdia, atormentando a vida dos nossos homens. Porque é preciso admitir: quando cismamos com algo, atormentamos mesmo! E daí a relação passa a ter mais momentos chatos do que gostosos. Gastamos nossas horas preciosas de namoro discutindo a relação, tentando reinventar a roda e, pior, contribuindo exponencialmente para que os homens mintam, digam só o que queremos ouvir. Porque é isso que eles fazem para se ver livres dos nossos questionamentos baratos.

Mas existe uma diferença entre cismar por motivos reais e cismar por do nada, por uma crise de ausência intelectual, nada de realmente concreto. É isso que nos separa do “Clã das Fodonas”, aquele composto por mulheres que, falando português claro, têm mais o que fazer do que ficar imaginando que seu homem está se esbaldando nos braços de outra no meio da tarde de terça-feira. E se estiver mesmo? Você vai ser a última a saber, minha filha! Conforme-se! O que não pode é ficar imaginando as coisas mais tristes e terríveis do mundo quando não se tem qualquer indício delas, apenas por pura pobreza de espírito (e falta do que fazer, porque mulher ocupada não se dá o luxo de pensar besteira o dia todo). É isso que acaba com as relações, porque cansa, vai minando as disposições que convencem um casal a se encarar, se encantar,  se admirar, se respeitar.

Sei lá, acho que se não existem motivos reais, por que sofrer? Se você está feliz e ele também, por que se deixar poluir com dúvidas sem sentido? Com constatações que surgem do nada?

A partir do momento que nos conscientizamos da existência da ‘Mulherzinha’, ela deixa de nos governar o tempo todo. É difícil controlá-la, pois crescemos sob essa influência, somos mulheres, faz parte da nossa condição o apego a detalhes, a reflexão, a observação profunda de tudo e a tendência de seguir mais a emoção do que a razão. Tudo bem! Também não devemos deixar de ser mulheres, assim como acho que certas características do homem não devem nunca desaparecer. Mas quando isso é exagerado, interfere na nossa saúde emocional, e o resultado recai sobre nossos relacionamentos amorosos. O ciúme desmedido é só um item desse pacote, e sempre ouvimos falar de casos extremos, perigosos. Mas há outras reações que podem chegar a proporções tão catastróficas quanto. Fora que gera sofrimento! Meu Deus, como a gente sofre a maior parte do tempo porque simplesmente não consegue curtir o agora, parar de tentar prever o futuro e sofrer por antecipação. Quem é que sabe do dia de amanhã, afinal?

Mulheres fodonas não têm tempo pra tanta frescura. Elas vivem o relacionamento um dia de cada vez, curtem, amam, se deliciam, fazem o que têm vontade, não se deixam frustrar por causa de tabus e clichês baratos. Elas não dependem do homem para ser felizes, nem do casamento, nem de nada. São felizes por conta própria e o amor é apenas um item que compõe a sua realização. Podem até sentir ciúme, mas não se rendem a ele, não se tornam reféns de nada e nem de ninguém. Podem até sofrer, mas não deixam de viver pelo medo de não dar certo. Elas fazem dar certo durante todo o tempo em que dura. Elas não ficam só imaginando e se afundando em amarguras e nem se deixam dominar pelo mau humor. Elas  sabem se comunicar, perguntam quando têm dúvida, vão direto ao assunto, são práticas.  E mais do que tudo isso: são felizes! São pessoas que têm sonhos e lutam para realizá-los, e o amor pode até estar entre eles, mas nunca será o único. Você já notou como pessoas felizes conseguem fazer qualquer um feliz também? A mulher fodona faz o tempo junto valer a pena. Se tiver que esclarecer algo, esclarece de uma vez e depois esquece, parte para o que lhe interessa, vai suprir as suas necessidades. Nessa, sem querer querendo, acaba suprindo as necessidades do outro numa boa, sem cobranças e sem dependências. Quando você é dependente, escraviza a si e ao outro, e isso não é justo – muito menos pode ser considerado amor.

Acho importante que nós mulheres fiquemos atentas a essas chatices tão típicas, e quando estiverem a ponto de explodir, controlá-las. Não é por eles, é por nós mesmas, para conseguirmos nos impor, nos tornarmos realmente independentes, começando pela alma. Porque é decadente demais se tornar refém de dúvidas, medos, ser tão encanada com tudo, infernal! É ruim pra quem sente e pra quem está perto. Demonstra imaturidade, despreparo, falta de autoestima. Além do mais, não tem jeito, as relações afetivas são muito importantes tanto para homens quanto para mulheres, então, acho que qualquer esforço em nome de relacionamentos saudáveis vale a pena.

Não estou dizendo que sou imune à minha ‘Mulherzinha’, mas hoje sou mais atenta. Quando ela começa a se espalhar muito, ou eu me toco ou meu próprio namorado diz “amor, acho que a mulherzinha tá aí”. Então rimos juntos da situação e retomamos os segundos perdidos do jeito certo: nos curtindo, nos merecendo. Qual o sentido de nos juntarmos a um estranho, com cultura e manias diferentes, crenças distintas e sonhos próprios, alguém que vai exigir adaptação total, dedicação profunda, senão o de aprender a ser feliz acima de qualquer adversidade? O amor também é lição, e como!

Por causa disso eu criei a ‘MULHERZONA’. Essa é outra estirpe, gente! Ela não tá nem aí para as frescuras, entra de cabeça em tudo que tem vontade, mergulha em suas próprias fantasias, aproveita mesmo. A ‘Mulherzona’ jamais bate DR, jamais perde tempo com discussões inúteis, ela só quer a parte boa da história. Nessa, eu mato todas as minhas vontades e realizo muitas das vontades dele. E quando nos despedimos, sentimos que cada minuto foi bem saboreado, o que sempre nos leva a novos e melhores encontros. E não tô falando só de sexo, mas de tudo que pertence exclusivamente ao casal: os códigos próprios, as brincadeiras, as carícias, os papos e até o silêncio.

Quando me sinto em paz, viro pro meu namorado e digo:  "a 'Mulherzinha' tá bem longe daqui, amor!". Tenho certeza que essa frase deixa ele bem mais tranquilinho. Mas felizão mesmo ele fica quando eu digo: “a ‘Mulherzona’ tá aqui, amor!”. Aí é só alegria! Quando a ‘Mulherzona’ entra em campo, a ‘Mulherzinha’ vira pó. Coitada! Se torna uma vaga lembrança de instantes negros que não hão de voltar. Tudo bem, vez ou outra voltam, mas desde que me atentei a ela, não consegue ficar por muito tempo, não. E como consequência, já não causa tanto estrago como antes. A ‘Mulherzona’ não chega a ser, ainda, membro efetivo do Clã das Fodonas, mas faz curso intensivo para tal, um dia ela chega lá. Mas que é bem mais forte e muito menos influenciável do que essa criatura atrasada, invejosa, complexada e arcaica chamada ‘Mulherzinha’, é: esse ser das trevas que se alimenta da infelicidade alheia e que merece ser rebaixada ao diminutivo pra sempre.

Ao Clã das Fodonas serei, fiel, isso sim! Porque o que eu quero mesmo é ser feliz!  Quem sabe um dia eu chego lá, né? Nós temos altos e baixos, mas acho que o importante é colecionar mais dias bons do que ruins, e no amor cada dia corresponde a um século! Por causa disso que estu encarando essa luta de controlar a minha 'Mulherzinha', e tô me sentindo bem com isso, ando aprendendo pra caramba sobre eles, mas principalmente sobre mim mesma. E acho que o meu amor também ;)


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Somos fãs cruéis

Nós, e a forma como subestimamos a finitude. O fim nos ofende. Viver num mundo onde tudo foi feito pra acabar um dia não serviu, ainda, para nos conscientizar do que o fim representa para o nosso crescimento. A finitude nos assusta, esfrega em nossas caras nossa pequenez diante da realidade. Deve ser por isso que brincamos com ela, que fingimos que não existe – ou, pelo menos, achamos que uma hora ela será vencida pela nossa ignorância e desistirá de nos levar pessoas, coisas e instantes. Até, cedo ou tarde, darmos de cara com ela e o sofrimento inevitável que representa. Nós ainda preferimos adotar a indiferença contra tudo que nos dá medo. E o fim é alvo principal disso, porque ele condiciona toda a nossa vida. 

Tudo acaba um dia.

Deve ser culpa do apego. Temos tanto medo de perder o que nos faz feliz, que preferimos ignorar a imposição do tempo – que, claro, não é suficiente e nunca será. Mas ao passo que somos tão apegados, também somos imensamente relapsos. Levamos tão a sério essa postura de ignorar o fim, que realmente agimos como se ele não fosse chegar. Adoramos nos enganar. Só que dessa forma, deixamos de nos dedicar com mais zelo ao que tanto gostamos. Achando que sempre haverá mais tempo, descuidamos das coisas, da saúde, evitamos experiências realmente significativas, deixamos tudo pra depois, maltratamos pessoas amadas, inclusive nossos ídolos.  Sim, nossos ídolos também! Por que não incluí-los nesse pacote? Eles ajudam a tornar essa caminhada bem mais prazerosa.

Cheguei onde pretendia.

Todo mundo sofre perdas dentro de casa e, com certeza, essas são incomparáveis. No entanto, nossa capacidade de adoração transcende o lar (ainda bem), e atinge em cheio aquelas pessoas que nos conquistam pelo talento. Com certeza nasceu daí o tal amor platônico. Elas se dispõem a dizer o que queremos ouvir, a mostrar o que queremos ver; se atrevem a traduzir com arte o que sentimos e cobiçamos. Elas cantam, dançam, interpretam, escrevem, desenham, criam, e por seus atributos únicos se tornam públicas. A partir daí, na nossa concepção, deixam de ser propriedade delas mesmas e se tornam propriedade do mundo para o qual se expõem: nós. Em troca, lhes damos fama, dinheiro e glamour. Ok, é uma escolha delas, e como seria chata a vida sem essa inspiração e ousadia. Mas não é só o talento que nos atrai. 

Nos tornamos fãs porque nos realizamos através dessas pessoas. Seja por fazerem coisas que gostaríamos de fazer e não temos condições, oportunidade e até coragem para tal; seja por ampliarem nossas idéias e possibilidades; seja por ingressarem num mundo de luzes e fantasias, aberto para poucos e onde tudo parece possível; seja pela imortalidade que isso pressupõe. Seja, simplesmente, pela valentia de se colocar diante do mundo contrariando o convencional. É como se fizessem parte de um universo onde a liberdade e a rebeldia não são condenáveis, afinal, faz parte da nossa hipocrisia natural suplantar nossos desejos mais profundos. 
Aí é que está. Mergulhamos tão fundo nessa fantasia, que achamos que nossos ídolos , além de sobrenaturais, são também imortais. É como se acreditássemos que a fama, o dinheiro e o glamour lhes tornassem imunes a qualquer tipo de fragilidade humana. Talvez por isso mesmo não medimos o peso da mão que impomos sobre eles – a mesma que um dia aplaude, no outro dia, estapeia. Na medida em que adoramos, castigamos com crueldade. É justamente isso que tem me intrigado depois de grandes perdas no mundo artístico. Nós, os fãs, levamos essas pessoas do céu ao inferno, e quando elas se vão - sempre de repente, sempre cedo demais -, chocados, passamos a endeusá-las pelo resto de nossas vidas. E curtimos, sem mais alternativa, a saudade daquilo que só aquela pessoa sabia fazer, que ninguém nunca fará igual. Engraçado, né?

Quando o ídolo está por aqui ainda, damos a ele mais do que sonhou, mas basta um deslize, independente de ser real ou não, antes de qualquer julgamento oficial,  batemos forte, cobramos, criticamos, julgamos na mesma proporção da sobrenaturalidade que lhes demos de presente lá atrás. Humilhamos sem dó. Fazemos piada, condenamos sem direito a defesa, exploramos sua imagem decadente até mais do que aquela que, por tantas vezes, nos trouxe alegrias. Será por inveja? Será por despeito? É bem confuso isso, contraditório. Será que é pelo temor de sermos privados do talento que agora nos pertence? Ou será por nos sentirmos ofendidos por esse que promovemos a celebridade se comportar como um reles humano? Por demonstrar fraquezas e necessidades iguais às nossas? Pode até ser por vergonha do nosso exagero ao venerar – e pela carência que esse ato denuncia.

Até que nosso astro morre! 

E não é que era mesmo um ser humano? Dá pra acreditar? Como assim, morre? Sem uma última canção? Sem aviso prévio e despedida? Sem que eu tenha curtido mais um pouquinho e até me redimido a tempo? Sem que termine o contrato? Então choramos, lamentamos e rezamos num coro mundial. E não termina por aí. Corremos comprar seus produtos, postamos mil homenagens em nossos perfis sociais, penduramos suas fotos em nossas paredes, oferecemos solidariedade aos familiares das maneiras mais inusitadas, viajamos longas distâncias para tocar em seu caixão, assistimos por horas seu funeral pela televisão. Tudo pela perda irreparável. E depois cobrimos sua sepultura de flores durante anos inteiros, fazemos de tudo para ver e tocar seus pertences, exigimos que se façam museus em sua homenagem, e mais do que nunca, os defendemos com unhas e dentes dos críticos, porque apesar dos deslizes, representa um talento insubstituível e isso, agora, é inquestionável. Antes, a vida toda dele nos dizia respeito: cada passo, cada escolha, cada atitude (principalmente as ruins). Agora, só o que importa é o que ele fez de bom. Daí passamos a cultuar sua imagem com uma lealdade que o artista, em vida, não conheceu. Ele vira deus, como todo mundo que morre, só que como se trata de um astro, é elevado a outras categorias, já que essa admiração encontra respaldo nas multidões, agora eternamente apaixonadas. 

Infelizmente, com os gigantes é assim. Foi assim com Michael Jackson, só pra ser mais recente um pouco. Todo mundo sabia que se tratava de um artista único, de um talento realmente incomum e que dificilmente será superado algum dia no que se propôs. No entanto, após boatos e histórias que nunca foram comprovadas – em alguns casos ele até chegou a ser inocentado -, foi massacrado pelo mundo todo e de diversas formas. Nós o levamos do céu ao inferno. Acabamos com ele. Num universo bem menor, e sendo um caso diferente, porém vítima da mesma fã-crueldade, podemos citar o próprio Wando, que perdemos outro dia. O cantor andava sumido há anos, ninguém mais falava nele, a não ser pra tirar sarro.  Após sua morte, vi zilhões de homenagens a ele, às suas músicas, suas composições nas redes sociais, na imprensa em geral. Onde estavam esses fãs que o condenaram ao anonimato durante os últimos anos? Que lhe deram e lhe tiraram o palco? E será que não são os mesmos que o rebaixaram à categoria “brega” que tantas piadas infames lhes rendeu? Agora, post mortem, tornou- se ícone da música popular brasileira. Uma lenda. 

E agora, com a perda da Whitney Houston, a diva, estamos vendo a mesma coisa acontecer. Ao gigantismo dela como cantora não cabe discussão, nunca coube. Mas só hoje, com sua ausência, sabemos o quanto a sonoridade da vida ficou abalada sem sua voz, sem seu dom espetacular. Mas tudo isso foi esquecido quando decidimos castigá-la por cair no mundo das drogas, pelos escândalos de um casamento desastroso, por perder o caminho de volta a ponto de não conseguir nem mesmo recuperar aquela voz estupenda. Tão nossa! Tão nossa! Por que ela não cuidou da nossa voz? Do nosso dom, não é mesmo? E ela ia tirar forças de onde? De suas fotos circulando na internet completamente destruída, doente, dependente das drogas? Nos últimos anos, essa foi a única coisa que contemplamos com relação a grande cantora. Ao invés de incentivá-la a recuperar a autoestima saudando suas inúmeras apresentações memoráveis, reconhecendo a beleza de suas canções e o quão abençoado era seu timbre, preferimos, como sempre, energizar sua autodestruição. 

Será que boa parte da culpa não é nossa? Somos fãs inquisidores e, por muitas vezes, cruéis. A oferta é tentadora, eu sei, mas o risco é bastante alto, e disso nós temos consciência. No entanto,  qualquer um de nós, no lugar deles, aceitaria o desafio; tanto pela ilusão de não ser mais uma vítima desse mundo irreal, quanto pelo sonho de viver daquilo que se gosta e ser admirado por isso. Por causa disso não quero entrar no mérito ou demérito dos erros cometidos pelos grandes artistas, discutir o certo e o errado de suas escolhas, quero apenas tentar entender essa nossa revolta que sempre se afoga num choro. Porque só pode ser isso. Ficamos revoltados diante da fraqueza daqueles que elegemos como gigantes. E sei que essa promoção toda faz parte do show, mas convenhamos, temos grande culpa por esses ídolos não agüentarem o tranco, afinal, eles não são sobrenaturais, são gente, por incrível que pareça. Tão gente e suscetíveis – acredito que até mais, pela inconsistência do universo em que ingressam - quanto nós. 

Somos culpados, tanto por vê-los dessa forma, quanto por fazê-los acreditar que estão acima do bem e do mal. Chega uma hora que é difícil distinguir o real do incrível, e o que fazemos? Damos ainda mais força à ilusão, porque isso alimenta nosso ego (e nossa crueldade velada). Nada disso justifica a entrega à decadência, claro, mas é um sinal, e todos nós somos responsáveis pelos resultados que temos visto através desses ícones. Até porque, a desgraça deles geram frustração, que transformamos em fúria e descarregamos sobre a fantasia que nós mesmos construímos e descarregamos na figura dos nosso ídolos. Até o limite. Até que sucumbam. 


Sem mais o que fazer, buscamos nos redimir oferecendo a mais contundente salva de palmas, em pé diante desse palco cujas cortinas se fecham para sempre. Pena que nossos ídolos só desfrutem desse tipo de aplauso interminável postumamente, embora saibamos que a luz das estrelas não se apaga jamais.