terça-feira, 6 de outubro de 2009

Existe uma capacidade mágica chamada LI-DE-RAN-ÇA

Existe uma capacidade mágica chamada

LI-DE-RAN-ÇA

Trabalhar é uma bênção, e não só para o bolso, mas principalmente para a mente. Brincamos com o tema, fazemos piadas, mas o trabalho não mata, pelo contrário, nos faz sentir vivos. Só que isso depende de uma série de coisas importantes, entre elas destaco: pessoas.

Primeiro que não somos máquinas, somos seres humanos, universos particulares cheios de detalhezinhos, necessidades, anseios, e também uma incrível capacidade criativa. Não se pode tratar uma pessoa como se ela fosse programável e apática, muito menos designá-la a funções estáticas, automáticas, como se ela fosse um robô que simplesmente obedece a comandos e repete movimentos como se aquilo lhe fosse natural.

O mundo está passando por muitas mudanças e é nas relações de trabalho que sentimos os principais dramas, afinal, a busca pela realização profissional é um dos grandes fatores que nos afetam diretamente. Será que as empresas estão conscientes da responsabilidade que têm ao eleger as pessoas que dirigem suas equipes? Será que estão levando em consideração a LIDERANÇA, mais importante característica para a ocupação de um cargo de chefia? Pois é o papel desse cara aí que influi diretamente nos resultados (bons ou ruins) de uma empresa, sejam grandes ou pequenas.

Uma notícia assustadora

Li ontem no jornal uma notícia que escancara a dimensão das relações humanas no âmbito profissisonal.

Trata-se do pedido de demissão feito pelo vice-presidente da France Telecom, Louis-Pierre Wenes, nesta segunda-feira (05/10). O pedido veio após uma semana do suicídio de um funcionário, o 24º dentro da empresa desde fevereiro de 2008.

O diretor-executivo da France Telecom, Didier Lombard, também vem sofrendo pressão dos sindicatos para renunciar ao cargo (por que será?), mas disse que não tem essa intenção. Ele prometeu um programa de troca compulsória de gerentes.

Veja bem: são 24 suicídios de funcionários de uma mesma empresa em menos de dois anos!

O último suicida deixou um bilhete culpando a “atmosfera” de seu trabalho, mas antes disso já havia se queixado com um colega sobre a insatisfação com a função que exercia. Detalhe: os 24 suicidas foram transferidos de função recentemente e estavam sendo cobrados por metas.

É loucura imaginar que alguém tenha coragem de atentar contra si mesmo, ainda mais por causa do trabalho. Mas 24, e em um período tão curto de tempo, deixa claro que há algo errado aí. Além do mais, pessoas muito envolvidas com a profissão, que descarregam nela toda a sua motivação de viver, sabem muito bem o quanto lhes custa ser mal gerenciado. Nos envolvemos de corpo e alma no trabalho por uma série de razões, mas a maior delas é o amor pelo que fazemos.

Notícias como essa aí de cima indicam a urgência da reestruturação do ambiente corporativo, adaptando-o à realidade humana e ao momento que estamos vivendo: a Era do Conhecimento. Não se trata mais empregados como números e máquinas, as mudanças demonstram que o sucesso de uma empresa e de todo um país depende de como estão sendo tratadas as pessoas envolvidas nesse processo. Por isso a LIDERANÇA passou a ser uma capacidade mágica e transformadora para toda a sociedade.

Adeus Era Industrial. Bem-vinda Era do Conhecimento.

Durante os dois séculos em que a Era Industrial predominou nas relações do trabalho (1750 – 1950), os homens eram tratados como se fossem máquinas, tendo de manter sufocadas suas infinitas capacidades intelectuais e seus sentimentos. Esse modelo priorizava a eficiência, ou seja, o ato de fazer o maior número de coisas no menor tempo. Isso levou o ser humano a conhecer uma série de doenças físicas e psíquicas - que o atormentam até hoje -, frutos das frustrações do trabalho e da profissão.

Depois da Segunda Guerra Mundial, entramos para o período Pós-Industrial, também conhecido como Era da Informação e do Conhecimento. A partir de então, nos deparamos com grandes mudanças, como o aumento da comunicação entre os povos, a difusão de novas tecnologias e de nova base econômica. A produção agrícola e industrial deixou de ser a base da sociedade, dando lugar à produção de informação, serviços, símbolos e estética.

Com todas essas mudanças, o comportamento humano, e consequentemente o corporativo, ganhou novos formatos e necessidades. O que antes era baseado na força e na pressão, agora precisa ser reformulado para atender aspectos humanos, pessoais, afinal, disso depende a força principal de trabalho.

Foi, na verdade, um caminho inverso que fizemos. Com a Revolução Industrial, o mecanicismo tomou conta das relações profissionais e até interpessoais – quanto mais frio e direto o relacionamento, melhor; hoje, de volta pra casa, a tendência é humanizar cada vez mais. E não poderia ser diferente, afinal, como registrei lá em cima, estamos lidando com seres humanos, adaptáveis, porém, nada programáveis. Nada mais natural do que ceder a imprescindíveis necessidades.

“A essência desta era é a liberação da linha criativa de cada trabalhador, justamente o oposto do que ocorria no período industrial, quando o controle era a tônica das empresas”, disse com perfeição Stephen Covey, um dos maiores especialistas internacionais em Gestão do Desenvolvimento Humano durante a abertura do 1º Fórum Mundial de Alta Performance, realizado no Teatro Alfa, em São Paulo, no ano de 2004 (HSM Online).

Na sociedade Pós-Industrial, na qual o trabalho físico foi substituído por máquinas, e o mental pelos computadores, o homem necessita impor-se naquilo em que é insubstituível: capacidade de criar, idealizar e solucionar.

“A sociedade pós-industrial se diferencia muito da anterior e isso se percebe claramente no setor de serviços, que absorve hoje cerca de 60% da mão-de-obra total, mais que a indústria e a agricultura juntas, pois o trabalho intelectual é muito mais frequente que o manual, e a criatividade, mais importante que a simples execução de tarefas. Antes era a padronização das mercadorias, a especialização do trabalho; agora o que conta é a qualidade da vida, a intelectualização e a desestruturalização do tempo e do espaço, ou seja, fazer uma mesma coisa em tempos e lugares diferentes (simultaneidade)”, lê-se no artigo A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o pensar, de Elian Ababi Lucci.

No entanto...

Embora a Era do Conhecimento esteja muito clara e seja irreversível (graças a Deus!), muitas empresas ainda não se atentaram para a urgência de adaptar-se. Como afirmou Covey no Fórum já citado, “Vivemos na Era do Conhecimento com parâmetros da Era Industrial”. E para reforçar a tese do especialista, ele usou um exemplo perfeito: o sistema de contabilidade que ainda vigora nas empresas é o mesmo utilizado no período industrial, no qual a contratação de pessoas é lançada como despesa e a aquisição de máquinas, como investimento.

O verdadeiro líder

Um passo importante para que as empresas assumam seu papel na Era do Conhecimento está na escolha de suas lideranças. Há muitas corporações no Brasil que simplesmente ignoram essa premissa, deixando de considerar certos detalhes na hora de contratar bons líderes para conduzir suas equipes. Trata-se de um investimento indireto que gera resultados diretos e duradouros, obedecendo à teoria do Capital Humano.

Mas há um ponto que me incomoda ainda mais nessa deficiência: muitas de nossas empresas não sabem avaliar, com base em parâmetros atuais e apropriados à realidade que se impõe, as características de um verdadeiro líder.

Aquela velha hierarquia onde “manda quem pode e obedece quem tem juízo” encontra cada vez menos espaço na sociedade atual. Estamos focados na inteligência, e isso também requer um esforço de RESPEITO à inteligência alheia, ao ser humano que está a seu serviço. Ignorar isso é assinar o próprio atestado de burrice.

Algumas empresas estão tão atrasadas nesse quesito, que não imaginam o tempo e o dinheiro que perdem ao direcionar para os cargos de chefia pessoas mal preparadas ou mascaras sob um perfil de liderança que já não engana mais ninguém.

Pessoas medrosas, inseguras, autoritárias, desatualizadas, preguiçosas e conservadoras não podem assumir cargos de chefia simplesmente porque essas características já demonstram deficiência para liderar. Mas há as que enganam. Essas são menos líderes ainda. Aproveitam-se do “poder” que o cargo lhes confere para abusar do velho ditado: “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”.

Há muitos incompetentes coordenando equipes e enganando a alta cúpula sob uma máscara de eficiência. Mal sabe a alta direção o atraso que isso vêm lhes causando! Mas isso também indica uma cerca incapacidade deles em gerenciar seus próprios gerentes.

Ações de humildade e perdão foram destacadas por Stephen Covey, que afirmou: “Liderança é uma escolha, não uma posição; os líderes são autodidatas, como Gandhi”.

“Vemos o mundo como somos, não como ele realmente é; por isso, precisamos ser humildes, precisamos saber ouvir profundamente para entender o outro. A força de caráter é a essência do líder. Viva, ame, aprenda e deixe um legado”, sentenciou Covey.

A verdade é que precisamos de líderes que saibam administrar certas características deles mesmos, como teimosia, orgulho, egocentrismo, presunção, para poder coordenar sua equipe de forma eficiente.

Um líder de verdade conhece cada membro de sua equipe, se mistura com eles, presta atenção em detalhes, em minúcias, pois isso faz qualquer pessoa se sentir valorizada e respeitada. O líder ideal não perde tempo com medo de que lhe roubem o cargo, a posição, porque ele é humano, seguro e transparente o suficiente para crescer sempre mais em sua carreira. Na verdade, ele incentiva, sabe como motivar cada pessoa e como transformar qualquer conjunto de pessoas numa equipe afinada e comprometida, satisfeita. Acompanhamento e feedback são também ações valiosas em um líder. Ele tem que se colocar no lugar do outro, entender de gente, para liderar bem.

Caráter, integridade e maturidade são três características fundamentais citadas por Stephen Covey. E ele não é o único a seguir essa linha. Max Gehringer, consultor organizacional que já esteve à frente de grandes empresas (Elma Chips, Pullmann e Pepsi, entre outras) e eleito pela Gazeta Mercantil, em 1999, um dos executivos mais cobiçados do País, é categórico: “Os melhores líderes são os que lideram pelo exemplo pessoal. Era assim há cinco mil anos, e continua sendo”.

Em uma entrevista ao site RH.Com, Gehringer destaca a importância de se oferecer espaço e liberdade para as pessoas trabalharem, e ressalta, é claro, a humildade que deve vir principalmente da alta direção.

“Alguns chefes, é verdade, extrapolam um pouco, ao ponto de achar que ser um “superior” significa ser melhor que os subordinados, em todos os aspectos. Essa é uma raça em extinção, mas que continua fazendo marola em muitas empresas”. E continua: “Não adianta uma empresa chamar o empregado de ‘colaborador’, se ele não tem chance de colaborar. Não adianta implantar programas internos de motivação, se existe uma barreira intransponível entre a baixa e a alta hierarquia. Nas melhores empresas para se trabalhar, os canais de comunicação são abertos (...). nas empresas não tão boas, há uma grande diferença entre o discurso e a prática”.

Bem, pra começar, temos grandes empresas aí que (pasmem!) nem canais de comunicação possuem ainda, quem dirá disposição e sabedoria para conhecer seus funcionários e dar-lhes o acesso necessário para uma relação limpa, honesta, transparente e produtiva.

Para Gehringer, “O líder é o fio condutor das mudanças. É através das várias camadas de liderança, que uma mensagem, que vem lá do alto do organograma, é repassada, explicada e assimilada. A falta de uma liderança eficaz faz com que a mensagem acabe se diluindo pelo caminho e chegue meio desacreditada aos funcionários que, por fim, serão os responsáveis diretos pela execução de uma tarefa”.

Esse exemplo de líder que Gehringer sempre comprovou ser, se define como um líder que contrata os melhores subordinados e lhes dá paz para trabalhar, liberdade para pensar e agir, errar e aprender. E como isso é importante! O gestor precisa confiar nas pessoas que contrata, dar-lhes espaço para atuar e sentir-se à vontade, afinal, o trabalho é sim uma extensão importante de sua vida.

Além do mais, essa confiança funciona como um combustível motivador, dá segurança e sossego para o profissional, e isso o leva a dar, de livre e espontânea vontade, o melhor de si, e a buscar mais e mais a superação. Ganha a pessoa, ganha a empresa, ganha o País. É só uma questão de estratégia e inteligência – esforços que valem muito a pena.

Empresas com esse perfil prestam um valioso serviço social, porque isso gera resultados positivos que não se limitam aos lucros corporativos, mas beneficia também ao ser humano de uma forma completa, que expande isso à sua família, sua casa e ao mundo que ajuda a construir.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Hopi Hari deixa a desejar

Alguns dos maiores Colégios do país promovem encontros anuais no parque temático Hopi Hari, localizado na cidade de Vinhedo (a cerca de 60 Km de São Paulo). Eles fecham o local para uso exclusivo de seus alunos com o intuito de promover uma integração entre unidades de várias cidades e Estados que se encontram nessa ocasião.

Esta semana acompanhei a visita de um grande colégio. O número de jovens previstos para o encontro era de 13.000 estudantes do Ensino Fundamental 2 (que abrange do 6º ao 9º ano) e do Ensino Médio, vindos de tudo quanto é lugar diferente. Fui a trabalho: fotografar e observar a integração para a já tradicional matéria institucional era minha missão.

Essa foi a primeira vez que fui ao Hopi Hari como profissional, e de cara vi que as coisas mudaram um tanto por lá – ou não, depende do ângulo de visão. Eu, que já visitei o parque diversas vezes a fim de diversão com minha família e sempre gostei muito, fiquei decepcionada logo de cara.

O primeiro desapontamento surgiu quando procurei a assessoria de imprensa em busca de alguma solução que facilitasse o meu trabalho. Como eu tinha que fotografar os alunos em diversas situações, precisava que eles me facilitassem o acesso aos brinquedos (pelo menos a alguns deles) para que não tivesse que amargar horas na fila junto com os alunos apenas para garantir algumas fotos. A assessora responsável, visivelmente de má vontade, foi categórica: “não tem jeito”; e quando eu tentei argumentar sobre o tempo que se perde nas filas para quem precisa cobrir tudo, ela me cortou: “não sei, essa é a informação que eu tenho”.

Tudo bem, não seria ela que atrapalharia o meu trabalho. Mas achei isso incorreto, afinal, bem ou mal divulgamos o parque e seus serviços, e eles sempre pedem que enviemos edições com a matéria sobre o passeio, o que provavelmente vai para algum tipo de portifolio deles. Mas tudo bem. Conversei com o professor responsável pela excursão e ele nos deu pulseiras de educador, o recurso simples que precisávamos para furar as imensas e demoradas filas, negado pela assessoria. O único problema é que essa pulseira chegou até mim e minha colega no final do dia, quando já não seria mais necessário.

Outra grande reclamação minha é sobre o atendimento. Há inúmeras lojas dentro do Hopi Hari, todas exclusivas do parque, no entanto os funcionários são unânimes no péssimo atendimento. Funcionários mau humorados e claramente descontentes atendem como se estivessem fazendo um grande favor aos visitantes. Esse tipo de atitude, todo mundo sabe, vai contra todos os princípios do bom comércio, mas talvez aconteça porque estão cientes de que uma vez dentro do parque o visitante não tem opção, ou consome lá dentro ou passa o dia com fome, sede e vontade.


Isso é uma afronta, afinal, um local que vende a R$4,00 uma garrafa de água da mesma marca desconhecida comercializada por ambulantes em rodoviárias por, no máximo, R$1,00, e um lanche muito mal feito, jogado dentro da caixinha, que custa mais caro do que o Mac Donalds (pois é, mais caro que o já careiro Mac) deveria estar consciente de que a exploração comercial ali é explícita. Como se já não bastasse o fato de o passaporte (que não é barato) não incluir diversas atrações que são pagas à parte lá dentro, e de desembolsarmos o dobro, e até o triplo em certos produtos, ainda somos mal tratados por TODOS os atendentes das lanchonetes, sorveterias, quiosques e lojas.

A falta de caixas eletrônicos dentro do parque também é uma deficiência grave, bem como a não-venda de refrigerantes da Coca-Cola. Lá você só consome o que eles querem que você consuma. Ponto.

Me chamou a atenção também o grau de desmotivação dos funcionários do parque. Lembro-me da primeira vez que fui ao Hopi Hari, bem no começo. Fiquei encantada com a forma de abordagem deles. Todos os operadores de brinquedos tinham acesso ao alto falante – e cada brinquedo tem o seu –, e por meio deles contagiavam as pessoas com brincadeiras, provocações e expressões do idioma típico criado pelo parque. Era incrível a interação estabelecida ali, contagiava a todos, a diversão era redobrada. Fora a adrenalina proporcionada pelos movimentos dos brinquedos mais radicais, havia um contato, um canal que ajudava muito a energizar ainda mais os visitantes.

Hoje, o que sinto é uma apatia geral. Funcionários jogados dentro de suas cabines, com preguiça, sentados de qualquer jeito, falando mole em seus microfones, com uma má vontade escancarada, repetindo mecanicamente algumas regras que mal são entendidas. O parque caiu na mesmice e se perdeu de sua própria proposta, que é o entretenimento, a diversão, a imersão em um universo diferente, encantado. E o pior é que isso se reflete até nas crianças, que vão mais pelo modismo de estar lá do que por algum tipo de motivação ou vontade de divertir-se. Muitos, aliás, vão mesmo pra namorar, beijar na boca sem correrem o risco de serem pegos por ninguém.

Durante o dia todo andei pelo parque, de um lado ao outro, e o que vi eram jovens com aparência de cansaço, fadiga, sem nem mesmo terem aproveitado as atrações. Já estão enjoados de uma proposta que se estagnou no tempo e deixou que se perdesse todo o encantamento. São as mesmas musiquinhas, os mesmos brinquedos, os mesmos comes, bebes e bugigangas, nada mudou desde que o Hopi Hari abriu suas portas ao público, em 27 de novembro de 1999.

Eu, sinceramente, lamento. Lamento porque é um lindo lugar, um espaço enorme e cheio de possibilidades para oferecer um pouco de ilusão e encantamento, uma boa opção para quem precisa fugir um pouco da rotina e do stress do dia a dia. Mas lamento mais ainda pela desmotivação que tomou conta do parque através das pessoas responsáveis por fazê-lo funcionar.

Isso só demonstra a carência de um bom projeto que atinja, antes de mais nada, seus colaboradores. Já que a missão, conforme divulgado no site, é a de “Proporcionar às pessoas uma experiência única de entretenimento com diversão, encantamento e emoção”, isso deveria partir de dentro antes de mais nada. A sintonia seria automática, natural. Se o parque, que se propõe a tanto, não é capaz de colocar em prática com sua própria equipe, o que o faz achar que funcionaria com seus visitantes?

Para quem vai ao Hopi hari pela primera vez, pode até ser que a impressão seja a melhor possível. Se bem que em lugar nenhum do mundo mal atendimento deixa alguma boa impressão, mas... No entanto, a partir de uma segunda vez o encanto já desmorona por completo, porque uma coisa leva à outra.

Eu não sei nada sobre o esquema de trabalho lá dentro, como são tratados os funcionários ou se existe um esforçpo de comunicação (principalmente interna) eficiente no sentido de motivar, inspirar e envolver sua equipe com a proposta do local. Só sei que doeu no meu coração, sempre criança e ávido por um pouco de fantasia, constatar que não é preciso esperar setembro para se sentir na “Hora do Horror” do Hopi Hari, o maior parque temático da América Latina e eleito pelo sétimo ano consecutivo o melhor Parque Temático do Brasil, escolhido pelos leitores da Revista Viagem e Turismo – o que só prova como estamos mal no quesito diversão.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Vale a pena investir em um GPS

Eu não entendo São Paulo. Esse negócio de zona leste, sul, norte não tem efeito nenhum pra mim. Tenho uma leve noção de onde está a zona oeste porque é o meu lado, mas como vivo pra cima e pra baixo nessa paulicéia desvairada cobrindo eventos, essa noção não ajuda muito, afinal, os lugares onde geralmente preciso ir estão pra lá, bem pra lá. Pra dizer a verdade, nem sei como chego aos lugares, só sei que chego. As vezes consigo me perder de forma surpreendente, mas não reclamo, nessas idas e vindas eu me divirto com a minha imaturidade de motorista e conheço lados que ainda não tinha tido oportunidade.


E põe oportunidade nisso. Essas andanças minhas aguçaram ainda mais o meu instinto consumista, incentivando um desejo que eu tinha já há algum tempo: um GPS. Sou fascinada por esses aparatos eletroeletrônicos, e agora que tenho carro, imagine só se não ia querer o meu GPS. Juntou a fome com a vontade de comer: o gosto por essas novidades tecnológicas e a facilidade que me traria para chegar nos lugares. E assim lancei-me à busca pelo meu desejado GPS.

Sempre que me interesso por alguma dessas novidades parto para a pesquisa. Como funciona um GPS? Quais as principais diferenças encontradas no mercado? O que faz os preços se diferenciarem tanto? O que é mais importante num GPS? Quais os recursos disponíveis? Como atualizar rotas? E o mais importante: há taxas ou demais encargos para o uso e manutenção?

Enquanto pesquisava sobre a variedade em GPS, vi que o tamanho da tela, a memória e a quantidade de mapas disponibilizados (bem como o sistema operacional) faziam com que os preços se diferenciassem muito. No entanto, fiquei intrigada com certos detalhes. Vi nesses sites de comércio eletrônico já conhecidos uma variedade imensa de GPS, e na maioria deles os preços passavam de R$1000,00, alguns indo além dos R$2000,00. No entanto, o número de cidades cobertas (que é o que realmente interessa em um GPS) era ridículo, além da necessidade de pagar mensalidade para a atualização. Fora isso, também notei diferenças consideráveis nos serviços de computador de bordo, como localização de radares, opções de rota, recálculo imediato das rotas alternativas e tantas outras minúcias que fazem muita diferença na hora em que estamos na rua. Cheguei a encontrar GPS de mais de R$ 2000,00 que não continha tudo o que o meu, comprado por R$ 550,00 (isso na época, porque hoje há outros e com mais funções) contém.

Já fui pra vários cantos, não apenas dentro de São Paulo, já que moro no interior e desbravo outras cidades também, e o GPS nunca me deixou na mão, levou-me direitinho. Ou seja, está mais do que aprovado! E o design foi outro diferencial pra mim.

E fora essas facilidades todas que só um bom GPS pode proporcionar, há os itens “plus”, né, como tela Touch Screen, MP3/MP4 player, visualizador de fotos e vídeos, leitor de e-book etc. E isso no meu, comprado há alguns meses, porque os novos já têm transmissor FM, Bluetooth e muito mais, e com preços ainda mais atrativos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Veja só: e não é que temos um Dia do Homem no Brasil?

Dia de 15 de julho, fiquei sabendo hoje pelo jornal, é comemorado no Brasil o Dia do Homem. Ninguém sabe a origem da data, inclusive, poucos homens estão cientes de seu próprio dia, mas que nós, mulheres, podemos promovê-los um pouco nesse dia, podemos, não é?



Embora eu seja um tanto feminista além da conta, tenha mania de liberdade, me assuste muito com essa história de casamento - que pra mim soa igual a prisão -, e seja extremamente crítica com relação aos hábitos masculinos e seu passado de dominação, tenho que admitir que não há criatura mais apaixonante no universo do que o homem.

Mas tem um porém: me desculpem os homo, bi, metro, simpatizantes e pregadores da liberdade sexual e de estilo sem preconceito em geral, mas aqui eu estou falando de homem mesmo, pura e simplesmente. Homem que gosta de mulher, se comporta como homem e tem manias naturais de homem. Diante de tantas aberrações (desculpe de novo, mas muita coisa inventada hoje me soa apelação e insatisfação total com a vida), nós, mulheres também normais e tradicionais, sem invencionices, acabamos por sentir falta do que era mais básico nesse ser peludo e excessivamente prático.

Certas características masculinas, quando vistas por um olhar feminino desarmado, menos acusador, viram poesia. Sim, eles acabam com nossos nervos, é verdade, mas de vez em quando gosto de olhar pra eles de uma forma mais compreensiva. Poucos são realmente românticos, e isso ofende os nossos esforços e estraçalham com os nossos sonhos de amor. Mas pensemos bem: que culpa eles têm se o cérebro deles não processa as coisas da mesma forma que o nosso? Por outro lado, os poucos homens românticos de verdade acabam se tornando enjoativos, o que reforça a tese de que nós, mulheres, gostamos mesmo é daquela pegada firme, isso sim. Ou seja, do homem em seu estado natural, sem tentar impressionar ou agradar, sendo ele mesmo.

Mas peraí! Isso não quer dizer que eu goste de brucutus! Os brucutus, ao meu ver, estão em baixa, ficaram lá no passado. Mulher gosta é de ser bem tratada, e isso inclui alguém que saiba ser macho admirando a nossa feminilidade. Gosto sim é de homem sensato, inteligente, trabalhador, mas com todas as suas manias de homem. Que saiba o que dizer e o que fazer na hora certa, só isso. Se tem alguém no mundo capaz de nos fazer sentir mulher em nosso estado mais completo, esse ser é o homem - não tem pra ninguém.

Tá certo, tá certo... Eles são absurdamente distraídos, nunca lembram datas, traem com muito mais facilidade do que nós e interpretam as coisas com uma frieza e praticidade irritantes que agridem a nossa mania de detalhes mínimos. Mas até mesmo nós, quando nos deparamos com esse lado que supervaloriza as minúcias, ficamos irritadas. Nós mesmas sofremos pelo excesso de detalhes que plantamos em nosso ideal de amor.

Quando querem, eles sabem ser muito charmosos e sedutores. Homem dirigindo, por exemplo. É verdade que eles causam muitos acidentes devido a sua falta de prudência, mas convenhamos, eles têm um traquejo diante do volante de dar inveja, parece que já nascem sabendo dirigir, jamais demonstram medo da máquina. E o cuidado deles para que sua masculinidade nunca seja posta em dúvida? Não beijam os amigos, os abraços sempre mantém certa distância, não usam determinadas cores e modelos, tudo porque têm um nome a zelar. Conceitos bobos que os influenciam fortemente, mas é justamente esse jeito bobo deles que fascina!

Homens são tão práticos, mas tão práticos, que passam uma vida toda sem precisar de bolsa! Quer coisa mais charmosa, mais masculina? Só homem consegue isso! Cabe tudo na carteira deles, e nunca se preocupam com as milhares de possibilidades do dia, retoques e nada disso. Eles são o que são. E agora, algo que está se perdendo, mas que eu sempre admirei nos homens: a cara de pau!.

Se tem uma coisa que homem não pode ser é tímido! Não, homem tem que ser atirado, ir atrás do que quer, se impor, passar uma imagem de quem realmente se garante, mesmo que nem ele esteja tão seguro disso. Pode até ser que eles forcem a barra, mas é preferível um homem que tome a atitude e cumpra com o seu papel de macho, do que esses que ficam esperando, cândidos e meigos, escondidinhos atrás de seus amiguinhos, pela atitude da mulher. Talvez seja pela escassez, mas eu adoro homens que não têm medo de levar um não numa cantada, principalmente os que insistem, sem pensar em humilhação, rejeição, mico e outras bichices. Homem não pode mandar recado, fica feio, eles têm é que pagar pra ver, e quando fazem isso... ai ai ai... que tudo!

E os homens mais velhos? Esses são ótimos! Como já viveram muita coisa, perderam certas ilusões que os mais novos ainda alimentam, portanto, sabem lidar com qualquer situação e definitivamente como tratar uma mulher. De tão realistas, se tornam mais sábios, e isso acaba por dar a eles uma sensibilidade maior. Ou seja: entendem muito mais de mulher. Mas isso também não tira o poder dos mais novos. De certa forma, a imaturidade deles nos encanta e a gente finge que ta disposta a crescer junto, a percorrer o mesmo caminho e desfrutar das mesmas descobertas, e é aí que se realiza o (curto) período de romance na vida de uma mulher. Geralmente, é quando casam.

E as brincadeiras com os amigos? Assim, num primeiro olhar, parece tosco, nos dá vergonha, mas depois que vemos como todos se comportam da mesma maneira e acham graça das mesmas piadas, a gente acaba sendo solidária também. E se apaixona de novo por esses meninos brincando de serem homens, e aí a gente ri, mas não com eles, e sim deles, do quanto são bonitos quando estão distraídos.


O corpo também é outra coisa interessante. Eles pensam que a gente não olha, mas não fazem ideia do quanto é prazeroso observar o corpo deles. Também incluo aí nessa lista de admirações a agilidade natural que possuem, a energia para atividades físicas, a flexibilidade que vai muito além da nossa.


E os homens que dançam então? Afffff... simplesmente irresistíveis! Que mulher não sonha com um homem que saiba e goste de dançar? Que a leve para dançar? Mas os sem ritmo também não precisam se sentir diminuídos, afinal, eles sempre vêm com outros talentos que compensam. Além do mais, a própria falta de ritmo é capaz de nos apaixonar, desde que o homem seja transparente e não viva num mundo inventado, de aparências, sempre fingindo ser o que não é. Se tiver disposição e bom humor já vale muito. Mulheres gostam de enxergar por trás dessa casca grossa.

E eles não choram, vê se pode! Não tem nada mais revelador para uma mulher do que se deparar com o que há de mais profundo dentro de um homem. É nessa hora que a gente gama (e também que acaba caindo em armadilhas dos fingidos de plantão, mas a vida é um risco, vai saber...). Desajeitados, desligados, práticos etc., mas até eles (pasmem!) amam, só que do jeito deles.

Eles demoram tanto pra crescer, não é mesmo? Eu acho que é porque perdem muito tempo fingindo que já dominam tudo, que não precisam de ajuda e tal. E até isso se torna graça nesses brutamontes eternamente indefesos. Só que a culpa não é deles, são vítimas de uma influência cultural histórica que determinou que homem que é homem não pode pedir ajuda, já tem que nascer sabendo, pronto e acabado. Mas eu também acho que, embora reclamemos o tempo todo, o que nos dá prazer mesmo ao conviver com um homem é fazê-lo acreditar que realmente é mais forte, que precisamos dele, da proteção, do cuidado.

Na verdade, nós dependemos é do olhar do homem, da manifestação de prazer que eles não conseguem esconder ao ver algo que gostam, do quanto se perdem diante das nossas provocações. Nós alimentamos o ego deles, mas também precisamos que eles alimentem o nosso, e ninguém faz isso como eles. Essa guerra de egos, aprendizados, diferenças pode trazer muita paz para a vida de qualquer casal, depende mesmo é da forma que se olha e se lida com isso. Afinal, são dois seres humanos tentando se descobrir no outro quando o melhor de sua essência está em cada um, justamente em suas particularidades.

Há inúmeras características masculinas que podem ser vistas com mais complacência e bom humor por parte das mulheres, basta disposição. Eles também reclamam de nós, mas creio que não abririam mão de muitas de nossas manias irritantes justamente porque elas fazem de nós o que somos. E eis aí o melhor namoro do mundo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Agora é que eu sou mais jornalista ainda!

A decisão do STF sobre a não obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo não muda em nada o amor que eu tenho pela profissão e muito menos minha vontade de lutar pela verdade e pelo justo através da Comunicação Social. Em momento algum me arrependi por ter estudado, por continuar estudando e me interessando pela única coisa que pode me ajudar a exercer a profissão de forma responsável e consciente: o preparo intelectual.

Uma análise superficial e primária como essa utilizada para chegar a tal decisão não pode ser levada a sério por profissionais que, eles sim, são sérios e enfrentam uma verdadeira batalha diária para garantir a todos os cidadãos seu direito à boa informação e, de quebra, sua própria sobrevivência. Isso e muito mais foi ignorado pelo STF, mas o futuro tratará de cobrar dele.

Por que acreditar que os ministros votariam a favor da qualidade, do ensino, do conhecimento e do bom preparo, tão necessários no exercício de uma atividade que é voltada a educar os cidadãos e, entre outras coisas, apontar as falhas de quem ocupa os cargos públicos? Por que acreditar que eles prestariam esse serviço tão valioso ao Brasil? Não, eu não fui ingênua a esse ponto.

Nós, jornalistas, abrimos os olhos da sociedade, estando, portanto, na contra mão dos interesses escusos do nossos políticos. Acreditar que eles primariam pela qualidade dessa atividade seria o mesmo que iludir-se sobre a nobreza de suas intenções. Essa luta não cabe a nós jornalistas, porque o nosso trabalho é de interesse público, pertence a todos os brasileiros, e são eles que exigirão, como já está começando a acontecer, profissionais capacitados para investigar, traduzir, apurar e descrever a eles da forma apropriada o que lhes é fundamental: a informação.

Essa capacitação só se atinge através de muito estudo, da disposição em aprender mais e mais, da consciência de que o conhecimento é necessário em todas as esferas e que ele é inacabável, portanto, é algo a ser trabalhado por toda a vida ininterruptamente. E mais do que jornalistas, somos humanistas, a parcela intelectual da sociedade que mergulha em conteúdos aprofundados que vão muito além do escrever corretamente. Ser jornalista é muito mais do que isso, justamente o que o STF e esses ministros nunca conseguirão entender.

Nós olhamos para uma nação com olhos críticos e clínicos, a analisamos profundamente, estudamos seus hábitos, conhecemos suas carências e necessidades, traduzimos suas dores e glórias, e em nome disso usamos todos os nossos sentidos, toda a nossa sensibilidade para defendê-los, lutando por um mundo mais igualitário. E para tanto, estudamos mais do que gramática e redação, nos embrenhamos pelos amplos campos da filosofia, da sociologia, da história, da ética, do direito e tantas outras áreas do conhecimento que consomem mais do que tempo.

Usamos mais do que um lápis e um papel, empregamos toda a nossa intuição, emoção e quantas vezes nos vemos emocionalmente doentes tamanho o envolvimento com esse trabalho que não tem hora pra começar e acabar. Jornalista não tem o privilégio de ligar e desligar de acordo com o horário comercial: somos jornalistas o tempo todo. Nós mostramos o que há de mais humano para que os próprios seres humanos se reconheçam, se corrijam, ressaltando acertos e erros para que todos tenham a capacidade de se colocar no lugar do outro e avançar.

E quem terá coragem de se colocar em nosso lugar? Estamos à mercê de um mercado de trabalho que exige cada vez mais das nossas capacidades pessoais e intelectuais, e em troca nos dá salários humilhantes, vagas cada vez mais escassas e condições de trabalho cada vez mais degradantes. Sacrificamos nossa família, nossa saúde e tudo o que o tempo pode proporcionar a qualquer trabalhador em nome do amor por uma causa que é de todos, e não apenas nossa. Corremos risco de vida, nos envolvemos com pessoas que sabem muito bem como abusar do poder, somos pressionados e chantageados de tantas formas diferentes, mas não conseguimos ser outra coisa, porque a paixão por essa profissão nos move e nos faz crer que um dia o nosso idealismo, e tudo o que ele representa, será reconhecido.

E na hora de termos tão nobre profissão reconhecida, ganhamos a desvalorização do nosso preparo e da nossa dedicação por meio de uma decisão mal estudada, mal analisada, feita por pessoas que olham de longe e se apegam apenas a aspectos superficiais e menores da rotina do jornalismo. Mas é de se entender, já que a Comunicação Social em si - seu poder de transformação, importância e utilidade - é algo muito nebuloso ainda no Brasil. Nem políticos, nem empresários sabem lidar direito com ela, como utilizá-la de forma correta e aproveitável, portanto, são incapazes de permitir seu exercício pleno como ferramenta indispensável ao progresso. Reside aí a ignorância do STF e de ministros como Gilmar Mendes, que, em determinado trecho, comparou o jornalismo às atividades de culinária e corte e costura.

Independente da decisão arbitrária, tendenciosa e burra do STF, eu jamais me arrependerei de ter estudado para exercer a profissão que sonhava desde criança, de ter me preparado com responsabilidade e comprometimento, por ter prezado pela qualidade no meu aprendizado, que não deverá parar nunca. Não, eu não deixarei de estudar e de avançar em conhecimento, porque só isso pode me tornar uma jornalista melhor a cada dia, me trazendo força e capacidade de compreensão quando injustiças assim forem cometidas. Estou disposta a continuar cumprindo com o meu papel e estarei atenta para ver se as empresas de comunicação e outras que se utilizam do trabalho jornalístico, em suas inúmeras possibilidades, cumprirão o delas.

Há capazes e incapazes em todas as áreas, com diploma e sem. Que medo mais eu posso sentir com relação ao meu futuro como jornalista? Sou consciente de que, dentro de minhas possibilidades, faço o melhor. Dificuldades para conquistar um bom emprego, salários mais dignos, respeito e melhores condições de trabalho eu já enfrento todos os dias, mesmo tendo condições de concorrer com qualquer um. Por que me preocupar com a concorrência de aventureiros mal preparados que não têm consciência da amplitude dessa profissão? Isso é de responsabilidade dos contratantes e a avaliação cabe ao público que consumirá o resultado de tal trabalho. A mim cabe continuar lutando por minha profissão, dia a dia, sem esmorecer, com idealismo e amor. Decisão de STF nenhum pode mudar isso.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Em plena Sala São Paulo, todo o requinte de uma orquestra para crianças




Uma voz masculina previamente gravada pede silêncio. As luzes são reguladas para o espetáculo, dando ainda mais imponência à fantástica arquitetura daquela sala abrigada na antiga estação de trens da Estrada de Ferro Sorocabana. Uma figura feminina adentra o recinto, cumprimenta educadamente os presentes e passa algumas instruções. Antes de sair, apresenta Rodolfo, que conta a história e alguns segredos da Sala São Paulo e o que a torna tão incrível. É tudo parte do ritual.

E então, finalmente, os músicos começam a entrar e tomar posse de seus assentos e instrumentos. A sala é povoada por seus ilustres personagens. Todos a postos, chega o primeiro violinista, recebido em pé. Este, ao afinar seu instrumento, puxa todos os outros músicos de corda a acompanhá-lo. É um verdadeiro cerimonial que antecede, enfim, a chegada do maestro.

Eis que entra o maestro, cumprimenta o público e seus músicos com a elegância que lhe é peculiar e dá início ao show. Os pêlos do braço arrepiam-se logo na primeira nota. Música de picadeiro, animação, afinal, seus apreciadores são crianças de, no máximo, 10 anos. De repente, presos ao mistério que ronda todo aquele requinte, os espectadores mirins são surpreendidos com a chegada de um palhaço, fanfarrão, que invade o palco onde toca a orquestra. Só risos. Muito bem interpretado pelo ator Wellington Nogueira, formado pela Academia Americana de Teatro Dramático e Musical de Nova York, esse palhaço foi o responsável por inserir essas crianças à magia da orquestra.

O maestro, de seu púlpito, faz sinais para que o palhaço saia, deixando bem claro que não é bem-vindo ali. O brincalhão sai contrariado. Um tempo depois volta, agora pela porta lateral direita, feliz e contente. O maestro o coloca pra correr de novo. Uns bons minutos depois surge o palhaço novamente, mas agora portando um gigante martelo de brinquedo. Gritando, corre em direção ao maestro. Quem mandou expulsá-lo, não é?

Curiosamente o maestro responde aos seus reflexos e sai correndo, abandonando sua orquestra à própria sorte, fugindo do palhaço vingativo. Mais risadas. No entanto, mais engraçado foi ver o palhaço passar correndo de volta, agora de mãos vazias: ele fugia do regente, que lhe tomou o martelo das mãos e saiu em sua perseguição.

Assim começou e manteve-se todo o espetáculo, embalado pela arte da OSUSP (Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo). Me surpreendeu a engenhosidade com que a apresentação foi projetada para, além de oferecer música de qualidade, prender a atenção das crianças e levá-las a mergulhar nesse universo mágico da mais refinada cultura. E a interação do maestro com o palhaço, bem como todo o número meticulosamente estudado para tal público, deu o tom de ouro a essa experiência inesquecível.

JustificarTradição bem adaptada


Apreciar a arte de uma orquestra, dando-lhe o devido valor, não é tarefa para qualquer um. Mais do que sensibilidade, é preciso um mínimo de engajamento cultural para compreender cada detalhe que compõe esse tipo de apresentação: um fino cerimonial de música erudita.

Se esta não é tarefa para qualquer adulto, quem dirá para crianças do Ensino Fundamental 1 (que abrange do 1º ao 5º ano). Pois foi em plena Sala São Paulo, símbolo da música clássica no Brasil, que crianças de sete a 10 anos tiveram a oportunidade de apreciar essa arte.

O programa “Descubra a Orquestra”, organizado pela Fundação OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) com o intuito de “ampliar e fortalecer o desenvolvimento cultural e musical de alunos e professores inscritos”, cria oportunidade para que os pequeninos aprendam desde cedo a desfrutar de tão requintado espetáculo cultural junto a sua escola. O projeto prioriza diversas ações educativo-musicais levadas muito a sério.

Para poder participar do programa, as escolas devem inscrever-se pelo site, eleger um professor responsável e aguardar a oportunidade. Trata-se de algo bastante concorrido e com calendário especial. O professor responsável deverá freqüentar um curso oferecido pelo programa para que a visita seja autorizada.

“Os cursos são organizados para professores com ou sem conhecimento musical, com o objetivo de fornecer subsídios teórico-práticos para a realização de atividades musicais nas escolas. Cada curso é composto por três aulas presenciais aos sábados e trinta horas de educação à distância via Internet”, está registrado no caderno do Descubra a Orquestra entregue aos estudantes.

O interessante do programa é que ele faz mais do que levar as crianças para assistirem esse universo da música culta, mas prepara um espetáculo em que os pimpolhos consigam aprender e apreciar as minúcias de uma apresentação como essa. Lá, eles são ensinados sobre os detalhes de uma orquestra, quem é quem, os tipos de instrumentos e as hierarquias da tradição.

Idealizada adequadamente para esse público tão especial, o espetáculo inclui componentes capazes de prender a atenção por cerca de uma hora, envolvendo-os e levando-os a entender a imponente, porém delicada, música de uma orquestra, o papel de cada instrumento que transforma as notas e, unidos, banha a todos com uma sonoridade ímpar, encantadora.

Para essas crianças não foi sacrifício algum assistir a tal espetáculo, muito pelo contrário, foi um ingresso valioso para o aprimoramento cultural delas, mesmo que ainda não compreendam completamente, nesta idade, toda a sua importância. E isso sem perderem em diversão, alegria e descontração, uma vez que, conforme comprovou-se ali, a arte de uma orquestra pode ser explorada infinitamente.

Só lamento não ter podido fotografar lá dentro, por isso exponho umas fotos que tirei lá de fora mesmo. As regras ali são bem rígidas.

A Sala São Paulo

Maior e mais moderna sala de concertos da América Latina, a Sala São Paulo é o abrigo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Projetado em 1925 e concluída em 1938, o edifício nasceu embalado pelo acelerado ritmo de crescimento paulista, na época, estimulado pelo café e a ferrovia. O trabalho de recuperação do edifício da Estação Júlio Prestes, construída no estilo Luís XVI, foi empreendido especialmente para a criação da Sala São Paulo, destinada a receber as melhores orquestras sinfônicas do mundo.

Lá dentro, além de encantar-se com a arquitetura preservada e toda a elegância de seu contexto, bem como da importância cultural agregada, você também se surpreende com os chamados “segredinhos” da Sala. Há alta tecnologia investida ali para preservar a qualidade do som.

” O projeto da Sala São Paulo possibilita a apresentação de qualquer tipo de concerto, pautada pela alteração do espaço da sala de concertos gerada pela flexibilidade do forro com painéis móveis. Além disso, os elementos de composição foram concebidos para a reflexão sonora multidirecional, atendendo a recomendações acústicas”, lê-se no Histórico apresentado no site.

Para que as crianças entendessem o que isso quer dizer, um de nossos recepcionistas no dia da apresentação, o Rodolfo, simplificou o que pouco tem de simples. No teto, 15 placas gigantes que são, na verdade, elevadores que deslocam-se pra cima e pra baixo de acordo com o concerto a ser apresentado e outras necessidades técnicas. Atrás do palco, a arquibancada repleta de crianças era também um conjunto de elevadores que, ao serem retirados os assentos, descem e alongam o palco até lá atrás, para orquestras mais numerosas. E os acentos onde estávamos, de aparente função simples, também guardam segredos interessantes. O som da orquestra, puro como ele só, sofre alterações quando executado com uma sala cheia de pessoas ou durante os ensaios, com a sala vazia. Para garantir a qualidade, as cadeiras possuem um mecanismo que simula, cada uma delas, a presença de uma pessoa, ajudando a acertar o efeito final da apresentação. Resumindo: toda a projeção da Sala é fantástica!

No site da Sala São Paulo é possível conhecer mais sobre sua história, bem como fazer uma visita virtual sobre os espaços internos e demais informações. É muito interessante! E só pra desmistificar a ideia que liga a alta cultura a grandes valores, já adianto que todo final de semana há apresentações a preços acessíveis a qualquer pessoa, conforme está no site. Vale muito a pena!

Acesse: http://www.salasaopaulo.art.br/.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Viva a Internet: onde o passivo virou ativo

Entre tantas maravilhas trazidas pela Internet está a interação. Escrever sobre uma infinidade de assuntos e receber, de cara, a opinião de quem nos lê é fantástico! Em um passado recente não poderíamos imaginar o gostinho de ler uma notícia no jornal e já comentá-la de acordo com os nossos princípios e entendimentos para todo mundo saber. Com essas ferramentas incríveis já não somos mais meros engolidores de verdades alheias. Passamos para um nível acima, onde podemos mostrar que sim, pensamos, e que a nossa opinião tem valor. De passivos passamos a ativos.

Claro, ainda não estamos tão avançados assim. Existe uma ferramentazinha um tanto perigosa chamada moderação. Mesmo assim, nesse cada vez mais infinito universo cibernético, vão crescendo ainda mais as possibilidades e um tantinho mais de liberdade para falar o que se pensa. Os jornais ainda não se curvaram ao inquestionável poder do leitor, mas a Internet deu aos mais antenados, enésimas ferramentas para expor suas idéias, talentos, opiniões, impondo respeito ao ser humano. Os blogs estão aí e com muita força para provar isso.

Sei que o assunto Blog já está bem batido. Quando começaram a crescer e abrigar profissionais, como jornalistas, advogados e outros especialistas de língua afiada que tiraram da blogosfera aquela característica negativa de diário fútil de blá blá blá, eles foram encarados como verdadeiras ameaças à hegemonia venosa da comunicação que se impõe desde sempre. Quem patrocina a formação de opinião tendenciosa ficou apavorado e investiu muitos esforços na tentativa de desqualificar os blogs e seus autores. Não adiantou! Hoje, os blogs tornaram-se fonte de consultas para tirar dúvidas, expor ideologias, denúncias, talentos.

Eu, como jornalista, não poderia deixar de dizer aqui que os blogs (independentes!!!) funcionam como uma válvula de escape para nós, que vemos e sabemos de muita coisa mas não temos outro meio de repassá-las. É assim com muitos outros profissionais, mas também com pessoas comuns que possuem experiência de vida, veias literárias, criatividade e muitas outras qualidades para mostrar. Mas como nem tudo são flores, surgiram nessa onda muitos blogs mal intencionados, fazer o que!

Mas a Internet é tão “arretada” que, através dela a escolha do que ler e do que acreditar é bem mais democrática do que em outros meios, nos quais somos obrigados a engolir o que alguns fabricam e julgam ser o mais apropriado. Veja bem: na TV, você tem a opção de mudar de canal, mas os conteúdos prontos pouco diferenciam e muito menos agradam, restando apenas a opção de desligar e ler um bom livro. No rádio a mesma coisa. É claro que há exceções, mas são conteúdos prontos apenas, feitos sem se basear na vontade e na opinião de quem o consome.

Já na Internet você encontra uma infinidade de opções, de todas ideologias possíveis, para todos os gostos. É impossível conhecer tudo o que temos disponível hoje na rede. Tem de tudo, e mesmo que você não encontre algo que quer ou necessita, pode facilmente criar e tocar sozinho. Não é maravilhoso?

Sim, maravilhoso e perigoso também, afinal, há muita porcaria na rede, conteúdos criados para confundir e difundir mentiras e invencionices, conforme for conveniente ao autor e sua turma. Mas o poder da escolha é lei e você vai filtrando o que mais te agrada. Além disso, com a infinidade de informações que se cruzam e debatem, vamos enriquecendo também um outro poder valioso: a análise crítica. À medida que evoluímos nessa navegação, vamos nos tornando mais seletivos, mais espertos, mais abertos. São muitas versões disponíveis sobre o mesmo caso, o que enriquece o repertório no momento em que formamos a nossa opinião. Isso ajuda até na busca de novas informações.

Mas ouso dizer que o que mais enriquece essas alternativas cibernéticas é a participação dos leitores. Tem coisa melhor do que ler uma coisa e já comentar sobre ela, na hora? Tem sim: ler os comentários dos demais.

Além da troca de opiniões e do debate, que sempre vai ser a melhor sala de aula do mundo, os comentários alheios nos mantém informados, muitas vezes, de coisas que nem imaginamos. Por meio deles nos deparamos com diferentes teorias e crenças, o que nos leva a analisar a amplitude da realidade vivida por cada um e o valor da contestação diante de cada informação exposta. Se aprende e se descobre muito lendo esses comentários, além de nos darem uma boa noção de como pensa determinado público. Essa troca toda e as possibilidades através dela são muito enriquecedoras, principalmente para a formação contínua da democracia, esse presente que nós estamos apenas começando a desembrulhar.

Mulheres bem-resolvidas enfrentam dificuldade para sair

Parece brincadeira, mas para determinadas pessoas, especialmente do sexo feminino, curtir a chamada “solteirice” passou a ser uma difícil missão. Encontrar lugares agradáveis e que reúna ao mesmo tempo estilos, público e faixa etária apropriados exige um verdadeiro trabalho de garimpagem.

Cada vez mais independentes, ingressando com muita força no mercado de trabalho e conquistando posições de relativa importância na sociedade, as mulheres incluídas no jargão “bem-resolvidas” enfrentam grande dificuldade na hora de desfrutar daquilo que muito lutaram para conquistar: a liberdade.

Muito mais exigentes à medida que se dedicam ao estudo e ao trabalho, essas mulheres resistem – e até fogem - daquilo que antes resumia-se como o sonho feminino: casar e ter filhos. Hoje, uma multidão delas chegam à faixa dos 30 anos solteiras, muitas vezes sem filhos, formadas e em situação financeira confortável, inclusive se comparadas a muitos chefes de família.

Ao conquistar tal padrão de vida, que, conforme mostram pesquisas, só tende a subir, essas mulheres tornam-se também muito seletivas. Já não aceitam mais qualquer coisa, qualquer ambiente e muito menos qualquer companhia. Até a balada, símbolo máximo da vida de solteiros, acaba entrando nesse rol de exigência. Segundo elas, até a diversão passa a dar trabalho.

“O grande problema é esse....nessas baladas só dá molecada. Nós, mulheres experientes, maduras, bem resolvidas na vida , não podemos nos envolver com moleques. Precisamos conhecer homens BONITOS, INTELIGENTES, BEM RESOLVIDOS EM TODOS OS SENTIDOS (risos)”, diz a pedagoga Michele S., que, junto às suas amigas, enfrenta um verdadeiro trabalho de garimpagem cada vez que tentam sair. Por causa disso, acabam passando as noites de sábado em casa.

Encontrar um lugar que reúna gente bonita, bom ambiente e pessoas de faixa etária acima dos 28 anos têm sido desafiador para as solteiras bem-resolvidas. As baladas mais conhecidas reúnem mais a garotada, o que se torna pouco atrativo para quem passou dos 25 anos, não aprecia mais tal fase e já não tem mais paciência com certas posturas imaturas. Além do mais, a escolha do ambiente define também a qualidade da possível paquera.

Quanto mais a pessoa se identificar com o lugar, maior é a probabilidade de fazer novas amizades e até algo mais. Afinal, apesar da panca de poder naturalmente imposta pela independência dessas mulheres do novo mundo, elas também sofrem de carência afetiva.

Para a engenheira Adriana L., a principal causa desse problema está no alto nível de exigência. “Quanto a balada...sabe pq está difícil??? Estamos ficando pra titia! (risos) Brincadeira. Simplesmente somos mais exigentes. Hoje sabemos distinguir a porcaria!”, declara.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Um comentário que sempre vale a pena

Divido com vocês este valioso comentário atribuído a Max Gehringer, respeitado administrador de empresas e autor de diversos livros sobre carreiras e gestão empresarial. Esteve à frente de grandes empresas, como Pepsi, Elma Chips e Pullman até abrir mão da posição no auge da carreira para se dedicar a escrever e ministrar palestras pelo Brasil. Seu desempenho nos negócios lhe trouxe importantes indicações como reconhecimento de sua sensibilidade corporativa. Estava entre os 30 Executivos Mais Cobiçados do Mercado em pesquisa realizada pelo jornal Gazeta Mercantil em 1999. Em 2005 e 2006 era um dos cinco finalistas do prêmio Top of Mind na categoria Palestrante, entre outros.

Eu não poderia deixar de postar aqui um texto com tamanha sabedoria. Quem me conhece sabe o quanto analiso e critico o perfil corporativo ainda dominante no Brasil. É em nome de toda a revolta que modelos tão arcaicos me causam que eu aplaudo as idéias e a sensibilidade de um gênio como Gehringer. Mas as empresas brasileiras só vão evoluir a este ponto quando mentes brilhantes assim passarem ao comando de todas elas. Sonhar não é pecado...rs.

Comentário de Max Gehringer

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente.
Figuras sem um Vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul.
Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.
Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho.
Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim.
Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena.
Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase.
Deu no que deu. O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma.
E o resto de nós passou meio na carona do Pena que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas.
No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de "paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino". E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.
Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional.
Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos.
E quem era o chefe do Pena? O Raul.
E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito.
O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação.
Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.
Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.
Meu último contato com o Raul foi há um ano.
Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.
E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.
O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.
Foi quando, num evento em São Paulo , eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul.
E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável: ele entendia de gente.
Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.
E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: 'Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo'.
Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas.
Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio.
Essa era a principal competência dele.

Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Será que vale a pena discutir o jornalismo?

As vezes me pego frustrada por muitas coisas, quase sempre no campo profissional. Entro neste blog e fico um tempão só olhando pra ele e pensando em mudar a cara, o formato, sei lá, adequá-lo mais ao que tenho visto por aí em blogs jornalísticos. Mas aí eu penso: “pôxa, este é o meu espaço e eu faço dele o que quiser. Eu tenho que dar a ele a minha cara, o meu jeito, trazer a ele os meus assuntos, o meu mundo, e não copiar os outros blogs”. Talvez seja isso que esteja faltando aos diferentes veículos de comunicação que temos hoje: personalizar. Cada um deveria usar e abusar do que tem de único, de seu, e assim parar de se preocupar com essa concorrência ridícula, vazia de propósitos, carente de formatos e organização.

Sinto falta de notícias em meu blog, desse movimento que os fatos trazem. Mas não é a notícia em si, mas o noticiar. Eu tenho sangue e alma de jornalista, cresci sonhando com essa profissão, mas não no formato que a vejo na maioria dos veículos de comunicação. Sendo assim, porque fazer do meu humilde blog isso que eu não admiro? Aí eu penso no quê noticiar. Vou trazer para o meu blog as mesmas chatices que acompanho na grande mídia? Até a notícia é algo comercial, até através dela a gente se sente explorado. Não era pra ser assim. Eu queria noticiar coisas realmente úteis, aquelas que fazem um efeito de dentro pra fora em quem lê, que têm o poder de transformar. Cada palavra minha, mesmo não sendo uma matéria jornalística, carrega essa boa intenção, pena que as oportunidades me privam desse sonho (mas eu não vou desistir).

Aí eu entro em vários blogs ou em sites que discutem o jornalismo. Que desespero! Eu sinto, e cada vez mais forte, que há uma necessidade muito urgente de redesenhar o jornalismo. E esse redesenhar não seria, simplesmente, reinventá-lo, mas reprogramá-lo com muito amor e responsabilidade, porque jornalismo e paixão não podem, jamais, caminhar separadamente. Acho que deveríamos re-estudar o que é o jornalismo, como ele nasceu, quais eram suas ambições e comparar ao que ele é hoje, pra primeiro perceber o teor dessa evolução. Com base nisso, resgataríamos o que existiu de melhor nessa profissão tão fantástica e que se perdeu em nome da objetividade dura, seca, chata, cansativa. Aí, nós juntaríamos com o que o jornalismo ganhou de bom nesses novos tempos, com as suas infinitas possibilidades e utilidades, e casaríamos tudo. Pronto! Teríamos aí uma remontagem de uma profissão que diz respeito a todo mundo, mas que não tem cumprido bem esse papel.

Mas essa mistura não bastaria. O primordial nesse esforço de redesenhar o jornalismo seria buscar, antes de mais nada, aspectos puramente sentimentais, subjetivos, mas que fariam toda a diferença nesse exercício humanístico. Falo de valores humanos, como comprometimento, seriedade, responsabilidade, ética, honestidade, transparência, boa vontade. Sei que isso tudo soa utópico, e até piegas, mas é o que eu sinto. O jornalismo lida com gente e nada mais; é um produto feito por gente e destinado para mais gente, mas que não está levando a importância disso em consideração. Gente é sentimento, é necessidade, é prazer e dor, é inconstância, confusão, eterna busca e eterna descoberta. Gente precisa se reconhecer em tudo que tem à sua disposição pra evoluir, pra se descobrir, e o jornalismo deveria trazer isso com ele.

Será que vale mesmo a pena discutir tanto jornalismo e continuar de braços cruzados? Jornalistas são ótimos críticos – e as vezes até ásperos demais -, mas precisam se dedicar a um esforço mútuo de ação para salvar a própria pele. Aliás, jornalistas deveriam se unir, simplesmente se unir, já que navegam no mesmo barco e sentem na pele a força da mesma correnteza bruta e cruel. Mas não, jornalistas preferem dedicar-se à crítica ácida e desvairada, uns contra os outros, comparando, humilhando, desdenhando, numa deprimente batalha de egos. Vivem disputando um nada: cargos falidos, status inventados, uma carreira à beira da extinção. Por quê não reverter toda essa disposição maléfica, maldosa, mórbida, em força para lutar junto a favor da carreira, do respeito, de mais igualdade, mais idealismo, mais dignidade para exercer a profissão que escolheu?

Eu só vejo críticas ao modelo atual de se fazer jornalismo e à ditadura empresarial que monopolizou esse trabalho que é, em sua essência, um direito de todo cidadão. Eu mesma entro em fóruns, blogs, participo das discussões e fico até zonza com tantos argumentos vagos e nenhuma idéia concreta para que isso mude e se transforme no ideal. Eu mesma me perco nesse monte de teoria que todos nós, jornalistas, temos na ponta da língua, mas que infelizmente nos falta em coragem e em ação. Eu mesma sofro, todo dia, por querer me sentir jornalista de verdade, só isso...

Não sei mais se toda essa discussão vale a pena. No fundo, funciona como as toneladas de teses depositadas na USP e em outras universidades do Brasil à toa. Estudo e mais estudo, tanto conhecimento, florestas inteiras transformadas em calhamaços de papel que não servem para o que de fato deveriam servir: transformar e melhorar o nosso país. Desperdiçamos nossa saliva, as teclas dos nossos computadores com tantos protestos vazios que não nos levarão a lugar nenhum: nós continuamos caminhando em direção ao precipício do jornalismo. Porque a crítica é coisa boa, mas só quando vem acompanhada de solução, de boas idéias.

E qual seria a solução para essa tão amada e linda profissão? O jornalista.

Não sei se é o jornalismo que precisa ser tão discutido, ser redesenhado. Na verdade, ele navega para onde levam os remos, ora. Precisamos cuidar é de quem está remando. Não é o jornalismo que precisa de socorro, mas os jornalistas. Somos nós que devemos rever os nossos valores, as nossas intenções, a nossa missão aqui. É o jornalismo que precisa muito da nossa ajuda, da nossa reação.